Ter que fingir dureza
Para todos aqueles que sentem demais, mas que, diante das dores e exigências do mundo, aprenderam a criar uma casca para se proteger.
Mesmo protegidos, continuam sentindo — só que agora, muitas vezes, sentem em silêncio.
E talvez a terapia seja justamente o lugar onde essa sensibilidade pode voltar a existir sem precisar se esconder.

Debaixo da casca
Durante a vida,
fui aprendendo a me cobrir —
a erguer muralhas,
a fingir dureza.
Cada pedrada pedia uma armadura,
cada silêncio, um escudo.
E assim fui virando rocha,
ou tentando ser.
Mas, por dentro,
ainda havia uma pele fina,
um coração que se doía com o vento,
um gesto leve pedindo abrigo.
Esqueci
que sou feita de delicadeza,
que a gentileza também protege,
que a fragilidade é força
quando aceita existir.
Agora, aos poucos,
descasco o medo,
retiro as camadas de ferro
que me afastavam do toque.
Porque a casca me salvou,
sim —
mas é a maciez que me mantém viva.


