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O chicote invisível

Esse texto é para quem ainda não conseguiu parar de não ser tão legal assim consigo mesmo, mas está tentando.

Não quero ser insegura.
Mas há algo em mim que insiste —
um eco que diz: não é suficiente,
mesmo quando tudo está em paz.

Eu sei,
sei que o que penso e sinto
nem sempre é real,
que às vezes é só o medo
vestido de verdade.

Mas ele vem,
me cerca,
me dobra sobre mim mesma.
E então, sem perceber,
sou eu quem levanta o chicote,
quem se pune,
quem repete a dor como reza.

Queria aprender a soltar —
a mão, o medo, o golpe.
Queria dizer: basta.

Mas por enquanto,
só sei reconhecer o som do estalo,
e o cansaço depois.

Talvez o começo da cura
seja isso:
olhar o chicote nos olhos
e escolher, um dia,
não erguer mais.

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