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Aceitação meio triste

Há coisas que, mesmo quando aprendemos a aceitar — porque simplesmente são como são — ainda assim carregam uma certa tristeza.

Crianças admirando a vista

Viver algo bom — e ser ruim.

Às vezes o momento é doce:
um jantar na casa de uma amiga,
a mesa cheia de risadas,
a família inteira em harmonia.

Mas então, sem aviso,
um incômodo aparece.
É possível mesmo isso existir?
Família sem farpas disfarçadas de piada,
sem o jogo cruel de quem ama e fere no mesmo gesto?

Um nó se forma no estômago.
Percebo: eu nunca vivi isso.
Essas cenas não cabiam no meu mapa do possível.

E quando, por um instante,
provo o sabor do que é ser bem recebido,
vem a revelação amarga —
minha família foi pior do que eu supunha.

“Tudo bem”, murmura um canto mais terno de mim, “foi o que deu pra ter.”
E nessa aceitação meio triste,
cabe também um pouco de paz.

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